
Sentados, lado a lado, um falava, enquanto o outro respondia com um sorriso cansado, gasto de tanta incompreensão. Tentavam dialogar, embora, no íntimo de cada um, sentirem que era tarde demais.
O esforço de um, a compreensão mecânica do outro...um dia teriam de ceder ao desgaste alucinante do quotidiano.
Os problemas de um tornaram-se os problemas só dele, o silêncio do outro as respostas para ele. O sofrimento de um, o fardo do outro. A tolerância do outro, caminho perdido para ele. O palpitar de um, o descanso do outro. A festa de um, o pesar do outro.
Um dia, olharam-se olhos nos olhos e compreenderam que se tinham enganado na morada.